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Reportagem especial | Jovens da Santa Casa visitam Academia Equestre João Cardiga

  

Quinze jovens de vários equipamentos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa visitaram no passado sábado, dia 14 de janeiro, a Academia Equestre João Cardiga (AEJC) para uma tarde diferente e animada.

No alto do picadeiro, exíguo e resguardado, muitos são os olhares que acompanham os esforços dos pequenos cavaleiros. Em baixo, levantando uma fina película de pó a cada passo, a égua Atchim vai fazendo as delícias da sua cavaleira. Rita tem sete anos e a confiança e sorriso que agora exibe vieram substituir o nervosismo que na primeira volta ao picadeiro lhes transfigurava o rosto. A cara fechada e o olhar que lia com vertigem a distância que a separa do chão, já vão longe. Deram lugar a uma cavaleira tão confiante que durante alguns metros, até monta o seu cavalo às avessas. A observar Rita estão outras 14 crianças e jovens, utentes da Santa Casa, que aguardam com expetativa pela sua vez de tomar as rédeas. Afinal, desde o início da sua visita a Academia Equestre João Cardiga, que este era o momento mais esperado.

“Assim que entraram e viram todo o aparato dos cavaleiros, começaram a olhar para o picadeiro e ficaram logo com um brilhozinho nos olhos”. A descrição é de Andreia Tomás, uma das colaboradoras da Santa Casa que acompanha o grupo. E é tão verdadeira para quem conhece bem os petizes como para quem contacta com eles pela primeira vez. O entusiasmo é quase palpável. A passagem de um cavalo é sempre acompanhada por murmúrios excitados para o amigo do lado ou por exclamações sonoras de admiração. Antes de montar, os jovens são recebidos por Maria de Lurdes Cardiga, presidente da Academia Equestre João Cardiga, que lhes dá as boas vindas, e os leva a conhecer o espaço.

A visita começa pelos estábulos, onde em cada box se pode ler o nome do inquilino e os seus dados individuais. Alguns cavalos estão lá fora, em provas ou em treino, mas os que se encontram nos estábulos são mais do que suficientes para captar a atenção e imaginação dos visitantes. A tour continua pelos vários picadeiros e termina numa demonstração de equitação de trabalho. Chega então o momento mais esperado, o de tratar e montar os cavalos.

Enquanto a pioneira Rita acaba a sua vitoriosa experiência falamos com Gonçalo, que apesar de já ter estado a tratar do pónei Napoleão, ainda aguarda a sua vez de montar. Quando questionado sobre a sua opinião o adolescente não tem dúvidas. “O espaço é interessante, tem boas condições e a melhor parte será andar de cavalo, sem dúvida!”. Depois de falar connosco, o passo gingão de Gonçalo leva-o para junto dos seus colegas onde fica a aguardar a sua vez, sempre sobre a supervisão dos vários colaboradores da Santa Casa que presentes.

Para Sandra Rego, uma das técnicas da SCML de serviço, esta atividade é muito importante para os jovens porque “os cavalos transmitem calma, paz, confiança e uma série de outros sentimentos que os nossos utentes precisam muito”. “Além disso é uma experiência única” acrescenta a sua colega Andreia Tomás, e “proporcionar uma experiência destas a públicos que de outra forma não têm essa possibilidade, é sempre uma mais-valia”.

Também Lurdes Cardiga salienta as vantagens da equitação. Para a responsável pela AEJC os benefícios da equitação são “muitos e diversos conforme as especificidades de cada pessoa”. Apesar deste fator, algumas vantagens são transversais a todos os indivíduos. “De grosso modo, aquilo que se percebe é que o movimento tridimensional do cavalo é um estimulante fantástico, desde a ponta do pé até a cabeça. É quase como uma fisioterapia dada naturalmente”.

A Academia Equestre João Cardiga conta, desde há quatro anos, com o apoio dos Jogos Santa Casa. Um apoio que tem tornado possível a concretização de resultados importantes no universo da paradressage e, em particular, para os atletas apoiados por esta academia.

Foi também esse apoio que possibilitou, segundo Nuno Pires, diretor da Unidade de Gestão de Patrocínios e Eventos, “criar as sinergias necessárias para privilegiar os utentes da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que hoje viveram esta experiência”. Sinergias essas que os Jogos Santa Casa têm total interesse em “aprofundar ao longo de 2017”.

Chegados ao fim da atividade, um ar gélido e húmido sopra por entre as pequenas casas da Academia Equestre João Cardiga. O frio do final de um dia pintado a dourado pelo sol poente, contrasta fortemente com o calor e animação que se faz sentir por entre o grupo. Os jovens da SCML partem com os rostos rasgados em sorrisos, e partilhando entre si as histórias das suas aventuras particulares em cima dos cavalos. Quando os seus pés transpõem a soleira do portão, deixam para trás um mundo de cavalos e cavaleiros mas trazem consigo o forte e comum desejo de voltar.

 

Tiago Lacerda, da Direção de Comunicação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Read 147 times Last modified on Friday, 27 January 2017 20:22
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